segunda-feira, 14 de julho de 2014

Lívia Jorge - Intercambista na Itália

Sempre tive facilidade com palavras, mas essas últimas semanas venho sofrendo com um bloqueio mental agudo. Não um bloqueio no pensar ou sentir, mas sim, no transmitir ao papel.
Semanas difíceis…
Voltar.

Passei por uma experiência que me tira o fôlego só de lembrar… Foi lindo.
Eu vivi 5 meses e duas semanas na Itália.
Cheguei no fim do inverno, e dois dias após minha chegada, vi a neve cair, tremi de frio e de saudades… Era o começo de uma nova vida.
Logo vi a neve derreter, e o sol surgir.
Aos poucos o calor aumentou, a chuva caiu, as árvores recuperaram suas folhas, e eu sorri com os pássaros que voltaram a voar e piar agitados com a primavera! Os grãos de pólen começaram a dançar ao longo dos rios, campos, casas… suspensos no ar, parecendo floquinhos de neve, tão, tão leves. Em pouco tempo as flores monopolizaram as paisagens italianas, as abelhas montaram sua sinfonia nos jardins, e em um piscar de olhos o sol cresceu, os pêssegos nasceram, as ameixas, e as cerejas e morangos primaveris começaram a perder o sabor. As aulas chegaram ao fim, as praias se encheram, o sol nascia às 5:30am e se punha às 22:15. E com as estações que mudaram e passaram, entre músicas cantadas, risadas e novas amizades, meu intercâmbio chegou ao fim.

Foi lindo, mas não só isso…Também existiram momentos difíceis nesses últimos meses.
Nunca é fácil sair de casa, abrir mão de tantos confortos:
 O conforto de estar sempre rodeado por pessoas já conhecidas e amadas, os lugares rotineiros, a facilidade de falar o que quiser, de continuar com uma vida já treinada, ensaiada…
O conforto psíquico, abstrato e o conforto material. Ir embora (mesmo que temporariamente) é difícil, e devo admitir que foi MUITO mais difícil do que eu imaginava.
A saudade machuca e machuca muito. E na dor, no conflito e na falta, existe a possibilidade do crescimento.
Meu intercâmbio me ensinou a lidar com meus sentimentos e problemas de outras formas, tolerar e ter paciência com pensamentos e posicionamentos diferentes dos meus, a abrir meu coração (muito mais do que minha mente), a entender diferenças e as respeitar, a sentir saudades e ter simplesmente que lidar com isso. É fácil estar rodeado de pessoas que compartilham sentimentos e pensamentos semelhantes aos nossos, difícil é discutir, ceder, mudar de opinião, amadurecer.

O porquê de persistir e não desistir na primeira pontada de dor é difícil de ser explicado, mas o sentimento que tenho é muito claro:
Estar longe é o melhor jeito para se conhecer, como já dizia Milton Nascimento:

“Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim.”
Começar do zero, fazer amizades, se deixar amar… amar.

E essa resposta difícil de explicar, mas tão clara dentro de mim, me dou conta agora, é o amor!
O amor por um país que antes era estranho e que aos poucos se tornou minha casa, o amor pela nova língua, pessoas, lugares.

E o quão clichê é dizer que não importa aonde ir e sim com quem ir?
E o quão real é isso?!
Nesses últimos meses eu encontrei uma outra família minha que existia no mundo!
Encontrei uma outra mãe, pai, irmãs, tios, avós…
Fiz amigos de verdade… eu amei e fui amada, e isso faz valer a pena.


Agradeço de coração todos que me ajudaram a tornar real meu sonho de fazer um intercâmbio, agradeço a todos do AFS tanto Brasil, como Itália, que me ajudaram com tudo o que precisei.
Agradeço minha família aqui no Brasil por sempre me dar tanto apoio, mesmo que muitas vezes online.
E por fim, agradeço TODOS que fizeram parte desse importante capítulo da minha vida na Itália.
No dia 23 de janeiro (2014) eu saí do Rio de Janeiro uma brasileira indo para uma jornada em um país estrangeiro. No dia 7 de julho (2014) eu voltei uma italiana, Romagnola, cheia de histórias, emoções e pessoas que vieram dentro de mim e não serão esquecidas nunca! 


(Lívia Carvalho Patrizi Jorge Buscherini Tagliabue)











segunda-feira, 16 de junho de 2014

Bianca Valente - intercambista no Brasil

"Estou voltando para a terra onde nasci.
Tudo parece ser uma grande, enorme, ilusão. 
Esses 10 meses brasileiros, me pergunto se tudo isso não tivesse sido só um maravilhoso e inacreditável sonho.
Um sonho que começou com uma italiana muito emocional, bastante fechada em si mesma que chegou cheia de medos e sem certeza nenhuma nesse nordeste brasileiro tão quente e acolhedor.
Obrigada Brasil, pra me ter feito conhecer lados escondidos de mim que não conhecia, pra ter me recebido com um abraço cheio de amor.
De dia em dia eu fui me apaixonando por você, ao ponto de sentir o meu coração morrer na hora de voltar.
Obrigada, para ter me ensinado o que é bondade e gentileza.
Obrigada, para me ter feito sentir brasileira também.
Obrigada, para me testar em várias ocasiões, para me ter feito passar períodos tão ruins e tristes que somente procurando a força dentro de mim teria conseguido sair.
Obrigada, para me ter feito conhecer pessoas fantásticas e tão diferentes de mim, para aprender com elas.
Obrigada, para ter a aberto a minha mente sobre inúmeras coisas.
Obrigada, para ter deliciado os meus olhos com a sua paisagem simplesmente perfeita.
Obrigada, para ter me feito conhecer a sua cultura, o seu ritmo, as suas danças e lutas.
Obrigada, para ter me mostrado que as vezes o que pra mim era óbvio , não o é para outros. 
Obrigada, para ter me dado a possibilidade de aprender uma língua tão bela como o português.
Obrigada, para ter me mostrado o meu lado patriótico.
Obrigada, para ter me feito abrir os olhos e apreciar mais a minha Itália também.
Obrigada, para ter me ensinado que não existe um país melhor do que o outro.
Obrigada, para ter me mostrado muitas vezes o que é SAUDADE.
Obrigada, para o teu por do sol que nunca cansa.
Obrigada, porque é a partir de agora que começo a me sentir cidadã do mundo". 

(Coração Brasileiro - Bianca Valente)












segunda-feira, 2 de junho de 2014

Marcelo Lopes - intercambista na Hungria

Uma experiência intercultural é mais que uma troca de costumes, isso é algo que te faz crescer como pessoa, muda sua mente, seus conceitos e você terá uma visão mais ampla sobre o mundo. Viver em um país com culturas e pessoas completamente diferentes daquilo que é normal para você, não é tão fácil como visitá-lo e fazer uma excursão por alguns dias. 
Durante o intercâmbio você vai passando por fases que te mudam, te tornando mais maduro, você começa a criar uma flexibilidade e isso te ajudará a combater o choque cultural. Aos poucos você vai se sentindo como um nativo, mas quando você realmente se sente preparado para viver na nova sociedade, essa será a hora de voltar e a partir de então você estará dividido. Haverá dias que você se arrependerá de ter levantado da cama, outros pedirá para que o tempo pare, às vezes terá saudades de casa e quererá desistir, outros que ficará triste em pensar em voltar, horas de lutar contra seus medos, chorar e gritar para curar a dor, mas você terá momentos inesquecíveis de diversão. Mas depois de tudo, você erguerá sua cabeça e terá orgulho de ter cumprido a missão, aprendido muito, sobrevivido e sentir-se uma pessoa com dupla nacionalidade.
Intercâmbio cultural é uma das melhores experiências que um jovem pode viver durante a adolescência, você fará vários amigos, terá muita diversão e depois muita história para contar, terá uma segunda família para sempre, pois é criado um sentimento muito forte, o mais importante terá muitos tombos, erros, obstáculos mas tudo isso será uma forma de aprendizado e te deixará uma pessoa melhor, mais confiante, determinada, destemida e muitas outras qualidades.


terça-feira, 29 de abril de 2014

Angelica Cellegato - intercambista na Turquia

Ganhar uma bolsa de estudos foi maravilhoso, eu realizaria o sonho de fazer intercâmbio, ainda mais para um país que poucos optam por achar ser diferente demais: a Turquia.

Confesso que a Turquia superou todas as minhas expectativas, poucos países misturam beleza, história e tem um povo tão hospitaleiro e acolhedor como lá.

Lembro-me de quando meu baba (pai) Aziz me acordava para ir à escola e me preparava um farto café da manhã; Ao chegar, minha Anne (mãe) Aysegul me recebia dizendo hos geldiniz (bem vinda), então nós sentávamos e eu contava o meu dia a ela, isso me ajudou a aprender a língua turca e o inglês também. Era gratificante saber que podíamos viver naquele mesmo país com tanto respeito e harmonia.

Aos fins de semana eu frequentava um grupo de dança tradicional turca, cheguei até a fazer apresentações em vários lugares, também saí no jornal: "Angélica, da dança do Brasil para a Turquia", no grupo Hoytur encontrei uma nova "família" turca da qual eu fazia parte.

Ao sair da escola eu amava passear e ver as mesquitas mais belas do mundo que enfeitavam o cenário da minha cidade Ancara ou tomar o tradicional chá turco na companhia dos amigos enquanto via pela janela os flocos de neve caindo. 

Visitei Istambul com minha família, fui no Mar Negro, Egeu e Mediterrâneo com o AFS, além de poder apreciar com os voluntários e conselheiros o mais belo pôr do sol em volta de uma fogueira, após um jantar farto de delícias como: borek, baklava e doner.

Chegou o Natal e eu me entristeci, a saudade apertou, o que eu faria em um país que não celebra o Natal? Uma lágrima se desprendeu dos meus olhos no dia 25 ao subir para minha sala, quando me deparei com todos meus amigos me esperando. Um deles estava vestido de papai noel e eles haviam juntado dinheiro para me comprar um presente e um cartão que dizia: "Nunca mais pense que você estará sozinha neste Natal".

Só assim descobri que amizade vai além da religião e geração, que eu era um deles, eu fui a pessoa mais feliz do mundo naquele dia e em todos os outros de meu intercâmbio na Turquia.

Nada mais especial, nada mais surpreendente do que viver essa história que deixa lembranças e imensa saudade.









quarta-feira, 9 de abril de 2014

Ailma de Jesus - Intercambista nos Estados Unidos

Afirmo sem medo de errar que esses foram os meses mais valiosos da minha vida. Não que os outros não tenham sido, mas em apenas meses eu aprendi e vivenciei coisas inimagináveis que me fizeram crescer o equivalente a muitos anos. E talvez não tivesse aprendido nada disso em nenhuma outra situação na minha vida.

É difícil resumir um intercâmbio. É mais que uma família nova, amigos novos, cultura nova, país novo, amadurecimento, aventuras. É tudo isso junto e muito mais. Agora eu tenho uma nova família! Pessoas do outro lado do continente que me amam! Laços que jamais serão desfeitos. 

No meu intercâmbio eu tive a oportunidade de graduar no ensino médio, feito muito importante pra mim, pois agora meus horizontes para a faculdade cresceram assustadoramente. Minhas pretensões e força de vontade estão muito maiores, pois eu pude perceber que o mundo é muito grande, mas pequeno se comparado aos passos que eu, posso sim, dar em direção aos meus sonhos.

A BP e o AFS me mostraram tudo do que sou capaz, e agora sim eu me sinto pronta pra enfrentar tudo que vier pela frente sem medo de errar. E tudo que eu precisei fazer para viver tudo isso foi arriscar as minhas chances, enfrentar o medo e acreditar que eu poderia fazê-lo. E hoje eu sou muito feliz! E tenho muitas histórias pra contar! 





quinta-feira, 20 de março de 2014

Milena Tergolino - Intercambista na Dinamarca

Sempre quis vir para um país da Europa, mas também sempre tive receio, pois todos falam que europeus são frios e tudo mais. Porém, posso garantir que a Dinamarca pode até estar na Europa, mas eles não têm nada de frios! Me senti muito bem acolhida por todos a minha volta Me senti muito bem acolhida pela minha família que sempre está comigo me ajudando, aconselhando, como uma família de verdade! E pelos  meus colegas da escola também! São todos muito animados, engraçados e amigos. Até agora, meu ano tem sido maravilhoso e totalmente inesquecível! Fiz muitos amigos, conquistei pessoas especiais e visitei lugares lindos. 

Saudade sempre vai existir, mas nada que seja maior do que a vontade de estar aqui, em um mundo totalmente diferente, onde você tem que se superar todos os dias. Aqui você cresce todo dia, você se torna cada vez mais independente e ao mesmo tempo dependente. Hoje tenho certeza que se fosse o fim do meu intercâmbio eu ia morrer de saudades. Não só dos lugares, mas das pessoas, de tudo! A Disney World pode ser onde todos os seus sonhos se realizam, mas os meus só na Dinamarca!



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Livia Kilson - Intercambista na República Tcheca

Minha experiência começa bem antes de embarcar no Aeroporto Galeão- Rio de janeiro no dia 18 de agosto de 2011, tudo começou quando comecei a correr atrás de algumas agências de intercâmbio. Desde o começo, na minha primeira reunião da AFS eu já tinha me apaixonado pelo slogan "Conectando vidas, compartilhando culturas", pela história dos guerrilheiros que aspiravam por um mundo melhor, um mundo onde existia cumplicidade e respeito entre todas as pessoas, e foi ali, naquele momento,  que eu decidi que gostaria de fazer parte disso, e o que eu queria para um novo ano.
Ok, o ideal eu já tinha, queria viver uma nova cultura, comer de uma nova comida, falar um nova língua, fazer parte de uma nova rotina, ser de uma nova cultura! Mas eu só poderia escolher um, entre 194 países do planeta Terra! Minha vontade naquele momento foi me dividir em milhões de pedacinhos, e ter um pouco de mim em cada lugar do mundo.
Minha primeira escolha foi a República Tcheca, um pequeno país ao leste europeu, com uma grande história de poder e revoluções. E então, com mais de 50 kg de bagagem e outros tanto de coragem, eu deixei o país do samba para embarcar rumo ao país da cerveja. Desde o primeiro momento que embarquei rumo a uma nova vida, tudo foi inexplicável: o nosso grupo de intercambistas brasileiros, a primeira orientação para os intercambistas no país, aonde nós conhecemos pessoas de todas as nacionalidades e algumas que se tornaram tão especiais em tão pouco tempo, o primeiro passo (com o pé direito) na minha casa hospedeira na cidade Písek (Sul da Bohemia), nada poderia ter sido melhor.
O povo tcheco é um povo muito acolhedor, e com um coração gigante, não existe isso de "europeu frio" por aqui. Um país maravilhoso, com uma capital fora do comum e pessoas extraordinárias.
A começar pela minha família hospedeira, que parece mais a minha família de verdade, e me recebeu e me trata como filha, com tanto amor e carinho que eu tenho certeza que nunca os esquecerei.
E o mesmo na escola, todos me receberam como se fôssemos "amigos de longa data", me ajudaram, estão sempre me mostrando lugares novos, e tentando me fazer sentir em casa e me ensinar um pouco de tcheco, e são sempre muito pacientes quando não consigo pronunciar a bendita letra "ř", especialidade tcheca que separa o idioma tcheco do eslovaco.
Minha cidade Písek, é uma bela cidade, muito bem cuidada e uma das mais bonitas da região.
A comida é deliciosa, e os típicos "knedliks", um tipo de pão feito de farinha ou batatas, vai me fazer sentir mais saudade desse país que ficou com um pedaço do meu coração.
Fora a dificuldades, as adversidades, o choque cultural, e a saudade de casa... eu realmente acho que estou tendo "o melhor ano da minha vida" na República Tcheca, e não me arrependo por nenhum momento sequer de ter tido a coragem de ter optado por um destino não muito comum na escolha de um intercambista. Mas acho que essa é a magica, perceber que em cada momento aqui, você cresce e aprende, e mesmo, às vezes, não estando preparada para os "tapas" que a vida te dá, você sempre aprende a lidar com situações sob uma nova perspectiva. Eu com certeza voltarei mudada depois dessa viagem e desse ano maravilhoso que estou tendo.

E sabe o que é melhor? Ainda temos vagas para a República Tcheca com embarque em 2014 e com bolsa parcial!!! Faça como a Livia: enfrente seus medos e encare o novo \o

Para detalhes do programa, acesse: http://goo.gl/Ojc9t2